JORNAL DA ALTEROSA

Morador do Aglomerado da Serra diz que traficantes mandam no morro

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28 de novembro de 2012 – Um morador do Aglomerado da Serra revela como agem os traficantes que impõem leis como donos do morro. A vida começa a voltar ao normal no conjunto de vilas da região Sul de Belo Horizonte, depois do conflito por causa da morte de um jovem por policiais militares na segunda-feira. Mas, segundo a população, a calma é só aparente.

Relembre imagens do confronto

Dois dias depois do confronto, a população continua sofrendo sem ônibus. Todo mundo andando a pé quilômetros para chegar ao local onde os coletivos estão parando que é justamente no pé do morro. Hoje, com chuva, a situação fica ainda pior: é mãe com criança, adulto, grávida andando muito. Depois de andar, 10, 15 minutos, os moradores ainda têm que enfrentar tumulto para pegar o coletivo.

Os 550 alunos de uma escola municipal da comunidade continuam sem aulas. A maioria recebeu a notícia pelo porteiro, depois de enfrentar uma longa caminhada.

O clima entre os moradores ainda é de receio, ninguém quer saber de muita conversa apesar de o Jornal da Alterosa tentar falar com várias pessoas que fugiram das câmeras e do microfone.

Pelo menos uma coisa mudou. Nesta quarta-feira já podem ser vistas viaturas no morro, mas a sensação de insegurança ainda existe entre os moradores que não sabem direito o que está acontecendo.

Um homem que mora no Aglomerado e pediu para não mostrar o rosto afirma estar preocupado e diz que o tumulto depois da morte de Helenilson Souza foi por ordem de traficantes que querem a polícia longe da comunidade. “É mandado. É ordem do patrão. Eles dão ordem pra descer e fazer tumulto. Quem não fizer, sofre retaliação”, declarou.

O morador diz ainda que com a saída da Rotam – depois da morte de Jefferson e Renilson Veriano, em fevereiro de 2011 – a ordem é “se a polícia chegar, é ‘embarreirar’, queimar ônibus, mulher descer, porque a polícia não vai bater em mulher”. O homem ainda diz que o Aglomerado está igual ao Rio. Como a polícia não sobe, os traficantes dão condução, cesta básica, levam para o hospital.

Ele ainda fala sobre a existência de um baile funk promovido pelos patrões do morro. “São quase 10 mil pessoas e a polícia não entra. A droga corre solta”, conta. Veja a reportagem:

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28 de novembro de 2012

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