JORNAL DA ALTEROSA

Povo mineiro se despede de Niemeyer com palavras

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6 de dezembro de 2012 – O corpo do arquiteto Oscar Niemeyer acaba de chegar a Brasília onde será velado no Palácio do Planalto até a noite. Depois, retorna ao Rio para ser velado no Palácio da Cidade, sede da prefeitura. O enterro será amanhã, no Cemitério São João Batista. Belo Horizonte recebeu os traços de Niemeyer em várias obras, projetos que são cartões-postais da cidade.

Na cidade das montanhas, Niemeyer se inspirou e se consagrou. Nas curvas da Lagoa da Pampulha concebeu um ousado conjunto arquitetônico que ajudou a definir Belo Horizonte. A orla ficou mais bonita e charmosa com a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile, o cassino que virou o Museu de Arte Moderna, o Iate Clube e o PIC. Em 2003, ele voltou para assinar a obra e desenhou no painel que ainda está em exposição.

Os traços de Niemeyer começaram a ocupar a capital mineira por ali. A Pampulha o apresentou ao mundo e BH ficou mais atraente depois que os desenhos do mestre ganharam vida. Ele gostava de dizer que foi em Minas o começo da carreira de arquiteto, um prelúdio para Brasília.

As curvas de Oscar também passam pela Praça da Liberdade, onde a biblioteca pública e o edifício que leva o nome dele encantam a todos.

A arte do poeta do concreto também ficou cravada na entrada da capital mineira, 60 anos depois que ele deixou as primeiras marcas no município. A Cidade Administrativa, inaugurada em 2010, traz a assinatura inconfundível nos prédios Minas e Gerais e no Palácio Tiradentes, que ostenta o maior vão livre em concreto suspenso do mundo, erguido por apenas quatro pilastras. Em homenagem ao arquiteto, o governador Antônio Anastasia decretou luto oficial de três dias.

Niemeyer deixa projetos não executados. Entre eles, a Catedral Cristo Rei, a nova sede da Arquidiocese de Belo Horizonte. As obras devem começar em março do ano que vem. Quando o belíssimo projeto foi apresentado, Niemeyer disse que essa seria a última grande obra e ele cumpriu a promessa.

O corpo do visionário que tinha pânico de avião vai voar mais duas vezes, do Rio onde morreu e está sendo velado irá para Brasília e depois fará o caminho de volta, para ser enterrado onde nasceu. No segundo velório que vai acontecer no Palácio da Alvorada, desenhado por ele, será como se o conjunto de toda obra se despedisse do criador. Assista:

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6 de dezembro de 2012

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