JORNAL DA ALTEROSA

À espera de transplante, adolescente morre e deixa recado: doar é salvar vidas

Manhã de esperança. Tarde de vigília. Noite de despedida. Pouco antes das 21h, Renata Lara de Oliveira, de 13 anos, se esvaiu num sopro, como partem os anjos. Foram 44 dias à espera de um coração no centro de tratamento intensivo (CTI) pediátrico do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte. Durante boa parte do dia, com a notícia de possível doação vinda de Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, amigos e familiares faziam planos para um tempo de “renascimento” ao lado da menina Renata. Não deu.

Por todo o tempo de agonia, não havia frustração ou desesperança que apagasse a fé de Giovana Maria Pereira Slika, em vigília, na porta do HC. Juliana Alves, de 31, mãe de outras duas mocinhas, Maria Cecília, de 7, e Ana Luiza, de 6 – ambas aos cuidados de uma irmã – não sabe dizer de onde veio tanta força para enfrentar a dura jornada dos últimos tempos. Diz com a voz embargada que se fortaleceu na fé e no carinho da boa gente próxima: amigos, familiares e intensivistas do HC, solidários ao momento de angústia profunda e de fé sem limites.

Juliana chorou. Chorou muito ao saber, pela manhã, que a tortura da espera pelo novo coração para a filha continuaria. O mais triste estava traçado para logo mais. Horas depois, a jovem mãe desabaria na dor mais doída ao perder de vez a filha. Renata era o braço direito da casa na lida com as pequenas irmãs. Juliana se recolheu em pedaços sem dar conta do inexplicável. Renata queria muito viver. Chegou a gravar vídeo, pedindo pela vida.

5 de junho de 2014

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