JORNAL DA ALTEROSA
Gari devedor de pensão alimentícia denuncia que dividiu cela com criminosos perigosos
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22 de maio de 2012 – Enquanto o governo discute a possibilidade de construir um presídio só para devedores de pensão alimentícia, um gari denuncia, com exclusividade ao Jornal da Alterosa, que foi preso pela dívida, mas dividiu a cela com detentos que cometeram crimes violentos. Por lei, ele deveria ficar em ala separada, mas não é o que acontece na realidade.
A dona de casa Ana Carolina dos Santos Souza está executando o pai dos dois filhos de 5 meses e 5 anos. Ela diz que é difícil cuidar das crianças sem o apoio dele. “Estou vivendo do Bolsa Família e minha mãe me ajuda, mas fico triste, com vontade de chorar, meu menino está precisando de sapato, de mochila”, desabafa.
Depois de citado, o devedor de pensão alimentícia tem três dias para pagar a dívida ou se justificar, caso contrário, vai preso. O defensor público Valter Guilherme Alves Costa conta que recebe o devedor de alimentos, tenta contato com a mãe para fazer acordo e evitar a prisão.
Famosos como Romário, Edmundo e Werley di Camargo, irmão dos cantores Zezé e Luciano, não se entenderam com as ex-companheiras, ficaram devendo pensão e acabaram presos. No mês passado, vários devedores foram detidos durante uma operação da Polícia Militar em Ribeirão das Neves . O prazo determinado pela Justiça é de 30 a 90 dias atrás das grades. Quitando a dívida, a pessoa é solta.
No interior do Estado os devedores de pensão alimentícia cumprem a determinação judicial nas cadeias. Aqui, em Belo Horizonte, eles ficam no Ceresp Gameleira e ocupam uma área separada.
O delegado Leonardo Vieira diz que os devedores de pensão têm no interior ou na capital um espaço especial pra eles, mas não é o que diz o gari Jair Gonçalves Soares. No ano passado, ele ficou detido no presídio de Sabará e conta que dividiu a cela com vários criminosos. “É o pior lugar que passei na minha vida, não sou bandido, não sou vagabundo. É um lugar horrível que eu não quero voltar nunca”, desabafa.
O gari está sendo executado pela segunda vez. Ele precisa pagar R$ 3 mil de pensões atrasadas dos três filhos, mas o salário dele é pouco mais de R$ 600. Casos como o dele geram polêmica, mas as mulheres que dependem da ajuda financeira dos ex-companheiros para criar os filhos não encontram outra opção. Veja detalhes na reportagem:


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22 de maio de 2012